Sinais de que seu funcionário está se preparando para te processar

Nem sempre um conflito trabalhista começa com um desentendimento aberto. Em muitos casos, o início é silencioso: uma pergunta, um pedido de documento, uma dúvida aparentemente inofensiva. O que muitos empresários não percebem é que essas pequenas ações podem ser orientadas por um advogado, com o objetivo de reunir provas para uma ação trabalhista.

Por exemplo, quando um colaborador solicita os holerites dos últimos meses, ele raramente está apenas conferindo valores. Na prática, ele pode estar montando uma planilha com base nos documentos da própria empresa. Qualquer erro de cálculo, ausência de assinatura ou inconsistência será usado como argumento jurídico.

Outro sinal comum é o interesse repentino sobre o funcionamento do banco de horas. Em geral, o colaborador nunca demonstrou preocupação com esse tema — até receber a informação de que, sem um acordo formal e assinado, todas as horas extras devem ser pagas. Isso coloca muitas empresas em risco, especialmente aquelas que não formalizam esse tipo de ajuste.

Pedir uma cópia do contrato de trabalho também é um comportamento recorrente. A maioria das empresas responde de boa-fé, encaminhando o modelo padrão elaborado pela contabilidade. No entanto, contratos genéricos e pouco específicos abrem brechas importantes para argumentações trabalhistas, principalmente quando não descrevem claramente a função, jornada ou regime contratual.

Por fim, quando o funcionário pergunta se há alguma política da empresa sobre determinado tema, é importante acender o alerta. Se não há registro por escrito de condutas, normas internas ou procedimentos, tudo o que foi combinado verbalmente pode ser interpretado como abuso, assédio ou cobrança indevida. O que não está documentado dificilmente será considerado pela Justiça.

Essas situações têm algo em comum: são sinais de que o colaborador está juridicamente orientado e buscando meios de sustentar uma reclamação trabalhista. Ignorar esses alertas pode sair caro.

Contratos de trabalho e políticas internas não devem ser tratados como simples obrigações administrativas. São instrumentos jurídicos estratégicos que, se bem elaborados, protegem a empresa de litígios, insegurança jurídica e prejuízos financeiros.

Vale lembrar que a contabilidade é essencial para a saúde fiscal da empresa, mas a elaboração e personalização de contratos de trabalho é uma atribuição técnica do advogado. O olhar jurídico identifica riscos, antecipa problemas e propõe cláusulas capazes de blindar a operação.

Se a sua empresa ainda opera com documentos genéricos, acordos verbais ou políticas não formalizadas, talvez este seja o momento de rever processos e buscar orientação preventiva.

A advocacia preventiva não apenas resolve conflitos — ela evita que eles existam.

Cibeli Marques Bannitz Egger

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